"Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes,
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"
Foi procurando uma saída que
eu encontrei mais dúvidas. Busquei tanto por uma solução que afetasse meu
comportamento e minha vontade pelas coisas que realmente importam, mas sempre fiquei
assombrado e ocioso tentando entender meus próprios sentidos e acabei perdendo
um tempo precioso, um tempo que não posso mais resgatar.
Agora me sinto perdido com
sonhos não realizados, sinto que é tarde pra recomeçar e que não há sentido
mais buscar por aquilo que pertencia ao passado, sinto que fracassei e que nada mais mudará esse fracasso.
Quantas noites eu perdi tentando
entender as razões da uma vida tão egoísta e sonhadora, e o quanto destas
noites afetaram meus dias e minha vida ao passar dos anos...
Eu sei que deveria levantar a
cabeça e esquecer tudo isso e recomeçar, mas percebo que não é bem um recomeço,
hoje as regras são outras, as necessidades e finalidades do dia-a-dia mudaram,
não é mais o mesmo tempo, mesmo que alguns desejos ainda prevaleçam, seria
tolice continuar apertando a mesma tecla, e aquilo que vivemos hoje afetará no amanhã e analogamente
tudo aquilo o que vivi me trouxe pra essa “dose” de sobrevivência, sem
trocadilhos.
Freqüentemente tento regressar
à uma fase em que havia tanta vontade e garra pra mudar, buscando encontrar a “vibe” certa para lançar ao futuro
pequenos passos de superação para alcançar a diferença e poder olhar o passado
com orgulho, não é necessariamente uma razão, mas respostas que ao menos me
inspirem durante a vida. Hoje tento encontrar essas respostas somente em mim,
mas é óbvio que já busquei em muitas outras coisas além da minha consciência, como a fé, o amor, a resiliência
e a natureza. Eu já procurei fora das limitações do meu cérebro, mas em quase
todas elas as conclusões foram as mesmas, mais dúvidas que não calam.
Algumas respostas me trouxeram
um certo conforto para as minhas reflexões mas não me trouxeram um benefício
para o cotidiano, digo, hoje esse conforto não é um sinônimo de carreira com a
qual eu possa ocupar o espaço vago em minha mente, aquele espaço que muitos chamam de “missão de vida”, mas é
algo semelhante a admiração como uma música ou poesia que faz sentido à
desolação.
Num mundo onde os mais fortes
sobrevivem, penso às vezes que já extrapolei meu tempo de permanência, não por
fraqueza, mas por não ter coragem de conviver sabendo que alguém sofreu apenas
porque eu queria alcançar minha meta, mas hoje percebo que outras pessoas
também sofrem por eu não ter alcançado... e isso é uma das coisas que mais me
confundem... de qualquer forma, alguém sempre estará sofrendo por minha causa.
Lembro que há cerca de 8 anos
atrás, já existia em mim esse senso moral onde, como um mártir, pedia a Deus
que jogasse sobre mim sua ira para que eu não continuasse mais prejudicando
quem mais amava só porque eu não sabia como resolver certos impulsos egoístas que
me carregavam para uma vida social, de certa forma, um pouco melhor... hoje eu
chamo isso de falta de discernimento, foco e amor próprio, o mesmo Deus que
creio hoje não é mais o mesmo de ontem, em meu “coração” ele amadureceu tanto
quanto eu amadureci, pois dentro das razões que busco na vida eu sou incapaz de
aceitar, nesse caso, uma explicação em que os fundamentos acabam distanciando
ainda mais um ser humano do outro, criando grupos de pessoas como “rebanhos” ou
“castas e raças” diferentes, gerando uma barreira individualista entre
semelhantes de outros grupos. Mas esse não é o meu foco nas divagações dessa
manhã silenciosa e calma. Naquela época eu agia dessa forma sem entendimento
dessa “moralidade”, isso já estava em mim bem antes disso, mas eu não sabia, é
algo que faz parte do meu desenvolvimento, claro muito do que somos está
guardado na criação... infelizmente é uma fase da vida que não temos muitas
recordações concisas, porém algumas raízes que assombraram durante meu
crescimento eu já consegui resolver, e as que não tive oportunidades pra isso,
eu consigo identificar suas influências, mas eu sei, talvez não seja tudo...
Enfim o tempo passou e
continuará passando, creio que talvez não seja em linha reta, a física já
demonstrou que ele pode ser turvo e oscilante assim como qualquer ser humano, e
que nossas vistas podem nos aprisionar numa ilusão constante de estabilidade
enquanto trilhamos cada espaço ocupado nele. E é sobre essa tal ilusão que estou
preso agora, pois o tempo pra mim parece mesmo irrecuperável. Isso não quer
dizer que nesse momento eu esteja arrependido ou triste pelo tempo, em parte
considerado perdido, pois eu sei que não há tempo perdido quando nos dedicamos a entender nossas
próprias vidas porém, acabamos involuntariamente deixando de lado ou
negligenciando outras coisas que também nos definem como humanos, coisas que
sentimos, ações que não tomamos por qualquer medo ou fraqueza, e um presente
que poderia ser diferente mas não é... mas isso é normal.
Nesse momento me senti estável
o suficiente pra escrever um pouco das minhas reflexões sem a influência da paixão,
do estado de carência e nem mesmo da felicidade que assola momentaneamente com
o bem estar e devaneios vagos... chega por hoje.