Aquele garoto sem
idade para se apaixonar chorava por seu primeiro amor.
Olhos baixos, voz
tremula e seus dedos amarravam um laço invisível,
Transparente como
sua identidade para o mundo
Sentia no coração
a mesma tristeza dos adultos
O que eu podia lhe
dizer, se estávamos no mesmo barco
Pedir uma
cerveja e pagar a conta do bar?
Acho que não, tais
lugares ainda não são para ele
E espero que nunca
sejam
Ainda não aprendeu
a fingir que tudo está bem.
E isso corta minha
tal maturidade
Ele não confunde
ninguém, pois não está enganado consigo mesmo
Seu sentimento é
real e lhe dizer que isso não é nada não vai resolver,
Eu sei.
Eu sei bem do seu
pesar e sei que ela não virá.
Nessas horas não
existe Deus ou deuses que possam de fato ajudar.
Ele está sozinho,
mesmo se ao seu redor todos quiserem fazer sorrir
A trilha em que
está é escura, sem alimento ou água
Somente breves
momentos de iluminação que logo se dissipam.
Então a noite
chega, os olhos e os sorrisos permanecem em seus sonhos,
É capaz de
alucinar com a voz aguda oscilando em seus tímpanos,
Sussurrando em seu
ouvido aquelas poucas palavras que daria a vida pra ouvir.
E o mundo dos
sonhos que antes era livre, torna-se mais um objeto de tortura
Não adianta
explicar que a vida é transitória e que isso um dia vai passar
Mesmo o pouco
tempo que isso dura, irá escrever o seu futuro.
Talvez eu faça
entender que engolir a emoção e superar a fraqueza seja o sentido,
O sentido de
existir tal sentimento,
E plante nesse
jovem coração uma semente que nunca o fará entender a razão
Que na vida as
estrofes nem sempre se combinam.
Talvez seja melhor
assim,
Do que viver tentando encontrar a razão e
descobrir que não há sentido.
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