Nem tudo é mágoa. O preço da originalidade, às vezes, é a solidão mesmo e é comum acreditar que se está no caminho errado ou vivendo à margem.
Por mais que tento manter as aparências no cotidiano, não
consigo deixar de ser eu mesmo... Dizer as minhas bobeiras espontâneas, ou uma
retórica formal que termina com algum comentário babaca reduzindo a tensão, meu
sarcasmo cômico temperado com um pouco de humor negro... para descontrair e
sanar a loucura do dia-a-dia.
Às vezes percebo resultados mesmo quando não quero volver,
sou capaz de sentir aquele sorriso verdadeiro ou algumas vezes uma gargalhada
misturada com o espanto da minha personalidade tão... "incoerente".
Gosto da reação dos outros quando finjo ser outra pessoa
fingindo ser eu... e o que é melhor, saberem que estou fazendo isso por descontração
mesmo quando o clima no ambiente está tão baixo astral.
Eventualmente me isolo, mas pessoas de bom coração sorriem e
me provocam para que eu não perca meu foco, ou pra que solte algum novo
comentário em tom de piada e não fique mergulhado em outro momento do tempo, ou
às vezes recebo alguma bronca daquelas, para acordar e sair do meu mundo
particular...
Mas o melhor de tudo é receber um abraço ou um convite parar
jantar, por pequenos seres-humanos, tão sinceros e tão inocentes, que é
impossível controlar o sorriso, ou quando me encontram em qualquer lugar e fazem
questão que eu os perceba... quando me alugam de “Próf”, tio ou pai, retribuo,
claro inventado algum apelido bem engraçado,ou fazendo um cara amarrada bem
cômica... isso já me rendeu algumas lágrimas de alegria, daquelas que caem pouquíssimas
vezes na vida e trazem algo tão forte que é impossível controlar...
O reconhecimento dos que não julgam, os Futuros, aos
quais os futuros eu não posso prever, mas que são capazes de sentir tão
inocentemente o mundo ao redor... um poder que perdemos aos poucos enquanto
crescemos.
Claro que isso não é aceito por outros seres com que
convivo, manipuladores ou pessoas amargas e vingativas que não conseguem criar
uma relação benéfica com o próximo e não sentem nada além de um propósito
egoísta, mas faz parte de mim não me aliar a essas pessoas, nem mesmo para a
política de boa vizinhança... e outras se afastam por não conseguirem enxergar algum
amadurecimento agem com descaso da simplicidade de uma pequena ação importante para
o próximo, como se colocar a altura e olhar nos olhos... boa parte dessas últimas
acreditam que amadurecer é viver amargurado. Isso pra mim é bobeira.
Mesmo rodeado de amigos e pessoas boas e más, sempre com
atividades diversas, todos os dias e em muitos ambientes, ainda é complicado
definir e encarar a própria vida e perceber particularmente a troca de boas energias que
tenho com freqüência... me esqueço disso muitas vezes e tudo volta para um
sensação de perca de tempo e para um sentido ausente e devastador de uma mente
solitária...
Abro meus olhos mais uma vez para outra pequena
parte do que há na unidade que costumamos não valorizar... muitos chamam de vários nomes mas eu prefiro chamar
de Universo... e disso não posso esquecer, os propósitos que eu quero, de fato não são os
que preciso, mas sim aqueles que passam às vez sem perceber e fazem todo o
sentido, aqueles que abandonamos sempre por ganância, hipocrisia, medo, desafeto
e carência. Não são os propósitos que me trarão o sucesso ou a superação diante
do próximo ou para alguém sempre distante na paixão... mas são aqueles que me definem
como ser único e me deixam confortável, quando imerso na solidão, percebendo o
quanto eu pude evoluir e me superar no
tempo que está em mim.


