quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Pedaço



Nem tudo é mágoa. O preço da originalidade, às vezes, é a solidão mesmo e é comum acreditar que se está no caminho errado ou vivendo à margem.
Por mais que tento manter as aparências no cotidiano, não consigo deixar de ser eu mesmo... Dizer as minhas bobeiras espontâneas, ou uma retórica formal que termina com algum comentário babaca reduzindo a tensão, meu sarcasmo cômico temperado com um pouco de humor negro... para descontrair e sanar a loucura do dia-a-dia.
Às vezes percebo resultados mesmo quando não quero volver, sou capaz de sentir aquele sorriso verdadeiro ou algumas vezes uma gargalhada misturada com o espanto da minha personalidade tão... "incoerente".
Gosto da reação dos outros quando finjo ser outra pessoa fingindo ser eu... e o que é melhor, saberem que estou fazendo isso por descontração mesmo quando o clima no ambiente está tão baixo astral.
Eventualmente me isolo, mas pessoas de bom coração sorriem e me provocam para que eu não perca meu foco, ou pra que solte algum novo comentário em tom de piada e não fique mergulhado em outro momento do tempo, ou às vezes recebo alguma bronca daquelas, para acordar e sair do meu mundo particular...
Mas o melhor de tudo é receber um abraço ou um convite parar jantar, por pequenos seres-humanos, tão sinceros e tão inocentes, que é impossível controlar o sorriso, ou quando me encontram em qualquer lugar e fazem questão que eu os perceba... quando me alugam de “Próf”, tio ou pai, retribuo, claro inventado algum apelido bem engraçado,ou fazendo um cara amarrada bem cômica... isso já me rendeu algumas lágrimas de alegria, daquelas que caem pouquíssimas vezes na vida e trazem algo tão forte que é impossível controlar...
O reconhecimento dos que não julgam, os Futuros, aos quais os futuros eu não posso prever, mas que são capazes de sentir tão inocentemente o mundo ao redor... um poder que perdemos aos poucos enquanto crescemos.
Claro que isso não é aceito por outros seres com que convivo, manipuladores ou pessoas amargas e vingativas que não conseguem criar uma relação benéfica com o próximo e não sentem nada além de um propósito egoísta, mas faz parte de mim não me aliar a essas pessoas, nem mesmo para a política de boa vizinhança... e outras se afastam por não conseguirem enxergar algum amadurecimento agem com descaso da simplicidade de uma pequena ação importante para o próximo, como se colocar a altura e olhar nos olhos... boa parte dessas últimas acreditam que amadurecer é viver amargurado. Isso pra mim é bobeira.
Mesmo rodeado de amigos e pessoas boas e más, sempre com atividades diversas, todos os dias e em muitos ambientes, ainda é complicado definir e encarar a própria vida e perceber  particularmente a troca de boas energias que tenho com freqüência... me esqueço disso muitas vezes e tudo volta para um sensação de perca de tempo e para um sentido ausente e devastador de uma mente solitária...
Abro meus olhos mais uma vez para outra pequena parte do que há na unidade que costumamos não valorizar... muitos  chamam de vários nomes mas eu prefiro chamar de Universo... e disso não posso esquecer,  os propósitos que eu quero, de fato não são os que preciso, mas sim aqueles que passam às vez sem perceber e fazem todo o sentido, aqueles que abandonamos sempre por ganância, hipocrisia, medo, desafeto e carência. Não são os propósitos que me trarão o sucesso ou a superação diante do próximo ou para alguém sempre distante na paixão... mas são aqueles que me definem como ser único e me deixam confortável, quando imerso na solidão, percebendo o quanto eu pude evoluir e me superar  no tempo que está em mim. 

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