domingo, 20 de abril de 2014

Espelho Tremulo




Aquele garoto sem idade para se apaixonar chorava por seu primeiro amor.
Olhos baixos, voz tremula e seus dedos amarravam um laço invisível,
Transparente como sua identidade para o mundo
Sentia no coração a mesma tristeza dos adultos

O que eu podia lhe dizer, se estávamos no mesmo barco
Pedir uma cerveja e pagar a conta do bar?
Acho que não, tais lugares ainda não são para ele
E espero que nunca sejam

Ainda não aprendeu a fingir que tudo está bem.
E isso corta minha tal maturidade
Ele não confunde ninguém, pois não está enganado consigo mesmo
Seu sentimento é real e lhe dizer que isso não é nada não vai resolver,
Eu sei.

Eu sei bem do seu pesar e sei que ela não virá.
Nessas horas não existe Deus ou deuses que possam de fato ajudar.
Ele está sozinho, mesmo se ao seu redor todos quiserem fazer sorrir
A trilha em que está é escura, sem alimento ou água
Somente breves momentos de iluminação que logo se dissipam.
Então a noite chega, os olhos e os sorrisos permanecem em seus sonhos,
É capaz de alucinar com a voz aguda oscilando em seus tímpanos,
Sussurrando em seu ouvido aquelas poucas palavras que daria a vida pra ouvir.
E o mundo dos sonhos que antes era livre, torna-se mais um objeto de tortura

Não adianta explicar que a vida é transitória e que isso um dia vai passar
Mesmo o pouco tempo que isso dura, irá escrever o seu futuro.
Talvez eu faça entender que engolir a emoção e superar a fraqueza seja o sentido,
O sentido de existir tal sentimento,
E plante nesse jovem coração uma semente que nunca o fará entender a razão

Que na vida as estrofes nem sempre se combinam.

Talvez seja melhor assim,
Do que viver tentando encontrar a razão e descobrir que não há sentido. 

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