terça-feira, 13 de maio de 2014

Reflexo 1

"Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes,
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"



Foi procurando uma saída que eu encontrei mais dúvidas. Busquei tanto por uma solução que afetasse meu comportamento e minha vontade pelas coisas que realmente importam, mas sempre fiquei assombrado e ocioso tentando entender meus próprios sentidos e acabei perdendo um tempo precioso, um tempo que não posso mais resgatar.
Agora me sinto perdido com sonhos não realizados, sinto que é tarde pra recomeçar e que não há sentido mais buscar por aquilo que pertencia ao passado, sinto que fracassei  e que nada mais mudará esse fracasso.
Quantas noites eu perdi tentando entender as razões da uma vida tão egoísta e sonhadora, e o quanto destas noites afetaram meus dias e minha vida ao passar dos anos...
Eu sei que deveria levantar a cabeça e esquecer tudo isso e recomeçar, mas percebo que não é bem um recomeço, hoje as regras são outras, as necessidades e finalidades do dia-a-dia mudaram, não é mais o mesmo tempo, mesmo que alguns desejos ainda prevaleçam, seria tolice continuar apertando a mesma tecla, e aquilo  que vivemos hoje afetará no amanhã e analogamente tudo aquilo o que vivi me trouxe pra essa “dose” de sobrevivência, sem trocadilhos.
Freqüentemente tento regressar à uma fase em que havia tanta vontade e garra pra mudar, buscando  encontrar a “vibe” certa para lançar ao futuro pequenos passos de superação para alcançar a diferença e poder olhar o passado com orgulho, não é necessariamente uma razão, mas respostas que ao menos me inspirem durante a vida. Hoje tento encontrar essas respostas somente em mim, mas é óbvio que já busquei em muitas outras coisas além da minha  consciência, como a fé, o amor, a resiliência e a natureza. Eu já procurei fora das limitações do meu cérebro, mas em quase todas elas as conclusões foram as mesmas, mais dúvidas que não calam.
Algumas respostas me trouxeram um certo conforto para as minhas reflexões mas não me trouxeram um benefício para o cotidiano, digo, hoje esse conforto não é um sinônimo de carreira com a qual eu possa ocupar o espaço vago em minha mente, aquele espaço  que muitos chamam de “missão de vida”, mas é algo semelhante a admiração como uma música ou poesia que faz sentido à desolação.
Num mundo onde os mais fortes sobrevivem, penso às vezes que já extrapolei meu tempo de permanência, não por fraqueza, mas por não ter coragem de conviver sabendo que alguém sofreu apenas porque eu queria alcançar minha meta, mas hoje percebo que outras pessoas também sofrem por eu não ter alcançado... e isso é uma das coisas que mais me confundem... de qualquer forma, alguém sempre estará sofrendo por minha causa.
Lembro que há cerca de 8 anos atrás, já existia em mim esse senso moral onde, como um mártir, pedia a Deus que jogasse sobre mim sua ira para que eu não continuasse mais prejudicando quem mais amava só porque eu não sabia como resolver certos impulsos egoístas que me carregavam para uma vida social, de certa forma, um pouco melhor... hoje eu chamo isso de falta de discernimento, foco e amor próprio, o mesmo Deus que creio hoje não é mais o mesmo de ontem, em meu “coração” ele amadureceu tanto quanto eu amadureci, pois dentro das razões que busco na vida eu sou incapaz de aceitar, nesse caso, uma explicação em que os fundamentos acabam distanciando ainda mais um ser humano do outro, criando grupos de pessoas como “rebanhos” ou “castas e raças” diferentes, gerando uma barreira individualista entre semelhantes de outros grupos. Mas esse não é o meu foco nas divagações dessa manhã silenciosa e calma. Naquela época eu agia dessa forma sem entendimento dessa “moralidade”, isso já estava em mim bem antes disso, mas eu não sabia, é algo que faz parte do meu desenvolvimento, claro muito do que somos está guardado na criação... infelizmente é uma fase da vida que não temos muitas recordações concisas, porém algumas raízes que assombraram durante meu crescimento eu já consegui resolver, e as que não tive oportunidades pra isso, eu consigo identificar suas influências, mas eu sei, talvez não seja tudo...
Enfim o tempo passou e continuará passando, creio que talvez não seja em linha reta, a física já demonstrou que ele pode ser turvo e oscilante assim como qualquer ser humano, e que nossas vistas podem nos aprisionar numa ilusão constante de estabilidade enquanto trilhamos cada espaço ocupado nele. E é sobre essa tal ilusão que estou preso agora, pois o tempo pra mim parece mesmo irrecuperável. Isso não quer dizer que nesse momento eu esteja arrependido ou triste pelo tempo, em parte considerado perdido, pois eu sei que não há tempo perdido  quando nos dedicamos a entender nossas próprias vidas porém, acabamos involuntariamente deixando de lado ou negligenciando outras coisas que também nos definem como humanos, coisas que sentimos, ações que não tomamos por qualquer medo ou fraqueza, e um presente que poderia ser diferente mas não é... mas isso é normal.
Nesse momento me senti estável o suficiente pra escrever um pouco das minhas reflexões sem a influência da paixão, do estado de carência e nem mesmo da felicidade que assola momentaneamente com o bem estar e devaneios vagos... chega por hoje. 

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