quarta-feira, 6 de maio de 2015
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
A Prática
O despertar que se tornou momento e a luz lançada dos
meus olhos iluminou minha mente, com
tanta intensidade que não havia mais nem um ponto de escuridão, nem uma sombra de
lamento. Pude ver toda a beleza da vida, mesmo aquela que mora na infelicidade.
Tudo sempre vira história e todas as pessoas compartilham
da vida à vida. Não é apenas a história de uma pessoa, mas de toda a vida e cada ser é
uma parte dela, e cada lembrança se torna uma letra numa palavra de um livro
recorrente.
Hoje não penso tanto quando antes, não há mais necessidades
para isso, minha inquietação foi calada e encontrei o sentido que antes parecia
não existir, encontrei o caminho e percebi que já o percorremos há muito tempo.
sábado, 23 de agosto de 2014
Saṃsāra
Encontrar o caminho buscado por tanto tempo, é como água
para a sede. Tudo ficou claro, e todo sofrimento foi diminuído, todo o passado fez
sentido e todo futuro se desfez.
Quando é possível encontrar nomes para os pensamentos, associações
para os exemplos e lógica para os desejos, percebo que sou capaz de ver todas
as coisas, principalmente aquelas que estão além do Eu... E na alma, não há uma
identidade, apenas um brevíssimo resumo do todo.
domingo, 22 de junho de 2014
Nuvens
Cheio de esperança surge como um sopro, os desejos de
saber do mundo.
Tudo tão distante e tão inacessível.
Cheio de esperança dentro de um espaço silencioso
Mas que é capaz de reproduzir imagens, cheiro, sonoridade e vazio
A mente do coração que vagava pelo mundo sem teto e
destino
Abaixo da clara e matutina nuvem, cheio de esperança fugaz
caminhava
Para o destino, para o além.
Quem era ele que chamava ao portão, todos os dias e cheio
de esperanças
Olhava o futuro tão além como qualquer criança
acreditando um dia poder estar lá.
Nuvens, sempre nuvens, e ele deitado em seu colo contemplando-as,
cheio de esperança.
Estas que um dia partiram, assim como um sopro, sem deixar esperanças na mente
de um coração cheio de esperanças.
terça-feira, 13 de maio de 2014
Reflexo 1
"Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes,
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"
Foi procurando uma saída que
eu encontrei mais dúvidas. Busquei tanto por uma solução que afetasse meu
comportamento e minha vontade pelas coisas que realmente importam, mas sempre fiquei
assombrado e ocioso tentando entender meus próprios sentidos e acabei perdendo
um tempo precioso, um tempo que não posso mais resgatar.
Agora me sinto perdido com
sonhos não realizados, sinto que é tarde pra recomeçar e que não há sentido
mais buscar por aquilo que pertencia ao passado, sinto que fracassei e que nada mais mudará esse fracasso.
Quantas noites eu perdi tentando
entender as razões da uma vida tão egoísta e sonhadora, e o quanto destas
noites afetaram meus dias e minha vida ao passar dos anos...
Eu sei que deveria levantar a
cabeça e esquecer tudo isso e recomeçar, mas percebo que não é bem um recomeço,
hoje as regras são outras, as necessidades e finalidades do dia-a-dia mudaram,
não é mais o mesmo tempo, mesmo que alguns desejos ainda prevaleçam, seria
tolice continuar apertando a mesma tecla, e aquilo que vivemos hoje afetará no amanhã e analogamente
tudo aquilo o que vivi me trouxe pra essa “dose” de sobrevivência, sem
trocadilhos.
Freqüentemente tento regressar
à uma fase em que havia tanta vontade e garra pra mudar, buscando encontrar a “vibe” certa para lançar ao futuro
pequenos passos de superação para alcançar a diferença e poder olhar o passado
com orgulho, não é necessariamente uma razão, mas respostas que ao menos me
inspirem durante a vida. Hoje tento encontrar essas respostas somente em mim,
mas é óbvio que já busquei em muitas outras coisas além da minha consciência, como a fé, o amor, a resiliência
e a natureza. Eu já procurei fora das limitações do meu cérebro, mas em quase
todas elas as conclusões foram as mesmas, mais dúvidas que não calam.
Algumas respostas me trouxeram
um certo conforto para as minhas reflexões mas não me trouxeram um benefício
para o cotidiano, digo, hoje esse conforto não é um sinônimo de carreira com a
qual eu possa ocupar o espaço vago em minha mente, aquele espaço que muitos chamam de “missão de vida”, mas é
algo semelhante a admiração como uma música ou poesia que faz sentido à
desolação.
Num mundo onde os mais fortes
sobrevivem, penso às vezes que já extrapolei meu tempo de permanência, não por
fraqueza, mas por não ter coragem de conviver sabendo que alguém sofreu apenas
porque eu queria alcançar minha meta, mas hoje percebo que outras pessoas
também sofrem por eu não ter alcançado... e isso é uma das coisas que mais me
confundem... de qualquer forma, alguém sempre estará sofrendo por minha causa.
Lembro que há cerca de 8 anos
atrás, já existia em mim esse senso moral onde, como um mártir, pedia a Deus
que jogasse sobre mim sua ira para que eu não continuasse mais prejudicando
quem mais amava só porque eu não sabia como resolver certos impulsos egoístas que
me carregavam para uma vida social, de certa forma, um pouco melhor... hoje eu
chamo isso de falta de discernimento, foco e amor próprio, o mesmo Deus que
creio hoje não é mais o mesmo de ontem, em meu “coração” ele amadureceu tanto
quanto eu amadureci, pois dentro das razões que busco na vida eu sou incapaz de
aceitar, nesse caso, uma explicação em que os fundamentos acabam distanciando
ainda mais um ser humano do outro, criando grupos de pessoas como “rebanhos” ou
“castas e raças” diferentes, gerando uma barreira individualista entre
semelhantes de outros grupos. Mas esse não é o meu foco nas divagações dessa
manhã silenciosa e calma. Naquela época eu agia dessa forma sem entendimento
dessa “moralidade”, isso já estava em mim bem antes disso, mas eu não sabia, é
algo que faz parte do meu desenvolvimento, claro muito do que somos está
guardado na criação... infelizmente é uma fase da vida que não temos muitas
recordações concisas, porém algumas raízes que assombraram durante meu
crescimento eu já consegui resolver, e as que não tive oportunidades pra isso,
eu consigo identificar suas influências, mas eu sei, talvez não seja tudo...
Enfim o tempo passou e
continuará passando, creio que talvez não seja em linha reta, a física já
demonstrou que ele pode ser turvo e oscilante assim como qualquer ser humano, e
que nossas vistas podem nos aprisionar numa ilusão constante de estabilidade
enquanto trilhamos cada espaço ocupado nele. E é sobre essa tal ilusão que estou
preso agora, pois o tempo pra mim parece mesmo irrecuperável. Isso não quer
dizer que nesse momento eu esteja arrependido ou triste pelo tempo, em parte
considerado perdido, pois eu sei que não há tempo perdido quando nos dedicamos a entender nossas
próprias vidas porém, acabamos involuntariamente deixando de lado ou
negligenciando outras coisas que também nos definem como humanos, coisas que
sentimos, ações que não tomamos por qualquer medo ou fraqueza, e um presente
que poderia ser diferente mas não é... mas isso é normal.
Nesse momento me senti estável
o suficiente pra escrever um pouco das minhas reflexões sem a influência da paixão,
do estado de carência e nem mesmo da felicidade que assola momentaneamente com
o bem estar e devaneios vagos... chega por hoje.
domingo, 20 de abril de 2014
Espelho Tremulo
Aquele garoto sem
idade para se apaixonar chorava por seu primeiro amor.
Olhos baixos, voz
tremula e seus dedos amarravam um laço invisível,
Transparente como
sua identidade para o mundo
Sentia no coração
a mesma tristeza dos adultos
O que eu podia lhe
dizer, se estávamos no mesmo barco
Pedir uma
cerveja e pagar a conta do bar?
Acho que não, tais
lugares ainda não são para ele
E espero que nunca
sejam
Ainda não aprendeu
a fingir que tudo está bem.
E isso corta minha
tal maturidade
Ele não confunde
ninguém, pois não está enganado consigo mesmo
Seu sentimento é
real e lhe dizer que isso não é nada não vai resolver,
Eu sei.
Eu sei bem do seu
pesar e sei que ela não virá.
Nessas horas não
existe Deus ou deuses que possam de fato ajudar.
Ele está sozinho,
mesmo se ao seu redor todos quiserem fazer sorrir
A trilha em que
está é escura, sem alimento ou água
Somente breves
momentos de iluminação que logo se dissipam.
Então a noite
chega, os olhos e os sorrisos permanecem em seus sonhos,
É capaz de
alucinar com a voz aguda oscilando em seus tímpanos,
Sussurrando em seu
ouvido aquelas poucas palavras que daria a vida pra ouvir.
E o mundo dos
sonhos que antes era livre, torna-se mais um objeto de tortura
Não adianta
explicar que a vida é transitória e que isso um dia vai passar
Mesmo o pouco
tempo que isso dura, irá escrever o seu futuro.
Talvez eu faça
entender que engolir a emoção e superar a fraqueza seja o sentido,
O sentido de
existir tal sentimento,
E plante nesse
jovem coração uma semente que nunca o fará entender a razão
Que na vida as
estrofes nem sempre se combinam.
Talvez seja melhor
assim,
Do que viver tentando encontrar a razão e
descobrir que não há sentido.
segunda-feira, 31 de março de 2014
350 Silêncios
Aquele momento após a despedida
Após um tchau, um adeus... um foda-se
Carinhosamente entendido. Boa semana!
Junto ao orgulho... são boas pessoas
Desejo o melhor em tudo, e isso é real!
Mesmo sabendo que não acontecerá
No olhar, no gesto, nas brincadeiras
O melhor, eu sei, será a superação
Um passado perdido
Um silêncio cortante
No espírito a chama
De viver
No lugar certo e com pessoas coerentes
Às nossas histórias... e estórias
Sempre para nossas vidas
Sempre presentes no meu tempo
Não existe, por fim, um adeus
Não existe um final feliz
Existe um silêncio
Um Silêncio tão antigo e, hoje, tão vivo
Vivo um silêncio
Que somente eu posso entender
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