domingo, 29 de dezembro de 2013

Trajetando Alado



Já não procuro mais razões em romances e poesias, filosofias, músicas ou mitologias
Não vejo sentido em procurar exemplos de vida nas palavras pre-concebidas
Aprendi a divagar o erro e as encruzilhadas, a cruzar as pontes e estradas
"Trajetando" alado, olhando o chão, sem tocá-lo
Contemplando o céu sem alcançá-lo.

Por caminhos tortos ou retos, alguns com escadas, outros com armadilhas 
Pelejo contra o anseio, me faço forte a cada erro, mesmo se infeliz quando há partidas
Encaro a vida de peito aberto: ferido sempre, acorrentado nunca!
Despertando um novo olhar nos olhares que eu miro
Aprendendo cada vez mais com as pessoas e comigo

Mesmo se os prefixos forem perdidos e os sufixos negligenciados
Não há nada tão compensador quanto aprender vivenciando e observando a prática
A prática na vida, de pessoas amigas e de inimigas e principalmente das fracassadas
Pois o sucesso conta quase sempre a mesma história
Mas as dos "bastardos" é cósmico e inigualável. 

Entendo então, que o paraíso nunca esteve no sofrimento
E tão pouco na liberdade consumada
Está na coesão dos sentimentos diante uma escolha mísera ou abastada
Como disse um tal de Azevedo em nuas e cruas lembranças:
- Deixai a lua prantear-me a lousa

Logo morro para o sofrimento e para a esperança
Logo a contradição me faz amigo
Logo descubro que o sentido está nas pessoas
Passadas, presentes ou futuras, que logo me tornam vivo.
"Trajetando" alado, em equilíbrio, seguindo do alto as minhas próprias pegadas

Sem exclusividade, como dita a tal Natureza.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Reverta


Vomite angústias e classifique lembranças
Uma noite não será suficiente, enquanto te observo de longe
Eu quero ver o lixo, eu quero ver o sangue
E o que há por trás de tuas turvas ações

Desacredite o temor, faça tudo e não pense em nada
Com todo o tempo que precisa, a morte é só um mero detalhe
Liberalismo? Não! Isso é natureza humana.
Não te renda ao formalismo, chute o balde e diga bem dito, foda-se!

Sentidos não existem e o amor é utopia
Somente fantasia, não é real... é tempo reverso, é perverso.
Faças-te como quiser, enchas-te de doses de euforia
Agarre a vida em cada ilusão

A morte é uma questão de tempo,
Um manto que infla, dobra e se curva à energia do corpo
Faça valer a energia até mesmo de teus pecados
Peque, pegue... Surta, suje!

Faça valer cada erro de tua vida miserável
Apodreça, pois isso é inevitável, irá ocorrer de fato!
Nunca espere, abandone tuas crenças
E agarre a ilusão em cada vida

Alcance o fundo e beije a lama
Abrace o escuro vazio de sua “alma” e não se menospreze
Conheço um monte de gente que acredita estar superior
Numa hierarquia babaca imaterial, porém sem ser, de fato, ascendente

Materialize a tua vontade
E quando ninguém puder mais te salvar, olhe para ti mesmo...
Se assim, ainda for capaz de reconhecer-te em teu íntimo,

Reverta-te! Reconheça-te, sejas o filho das estrelas!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

ST5

Quando a convicção se tornou verdade absoluta? Vejo, ouço e leio tantas afirmações que só me confundem mais e chego a conclusão que todo ser humano é irremediavelmente insano, cada qual com sua loucura, cada um em seu próprio universo... Um desperdício de espaço enorme para viver sozinho.



 Até um tempo atrás, motivado, como muita gente, por desilusões anteriores e também pela busca de uma explicação racional sobre qualquer tipo de emoção, eu não acreditava mais no amar, estava consciente sobre as conexões de sentimentos variados e egoístas do reflexo que temos nas pessoas que dizemos amar... Sobre o respeito aos criadores, sobre o poder de ilusão da carência e sobre as ilusões dogmáticas plantadas na cabeça de muitos desde criança, sem contar as variantes físicas. Entendi o quanto a auto-preservação é fundamental, e o quanto a libertinagem é desespero... Então, aumentei os muros, tranquei as portas, vivi de sorrisos, me despedi de pessoas e descartei desafios e o destino... comecei uma nova vida segura e questionava apenas o que era cotidiano e redundante... trabalho, estudos, passa-tempos, reformas caseiras... Preocupava-me com o meu futuro e passei a ter tanta convicção quanto qualquer pessoa....vivia muito bem como um "zumbi", feliz por ser mais uma ovelha do rebanho...... Mas  quando tudo parecia caminhar para a prosperidade, um breve momento foi o suficiente para destruir toda e qualquer construção interna que fiz para me proteger, minha mente, minhas emoções e minhas razões... como se tivessem me desplugado sem aviso e sem motivos... E essa supernova veio de onde eu não era mais afetado... um olhar desconhecido foi o suficiente para mudar tudo. Uma loucura já sentida porém por uma nova forma e nenhuma razão ainda identificável. Abalou meus objetivos em todos os aspectos, fiquei sem desculpas para dar pra mim mesmo, não encontrei um sentido ao qual eu pudesse me agarrar para sair novamente dessa coisa tão sem sentido... para sair desse caos.
Hoje, então, volto ao ponto de partida, volto a caminhar de pés descalços à margem, e indiretamente me despedindo novamente...mas dessa vez sem objetivos e sem construir muros, é cansativo e frustrante ter que reconstruir tudo sempre do zero, sem trancar as portas, sem esconder a face, pelo contrário, de peito aberto e exposto.
Que machuquem que firam novamente, o amar talvez não tenha mesmo um sentido, ou talvez apareça quando não tiver mais o que destruir. 



Silêncio

sábado, 23 de novembro de 2013

Inevitável Maçã do Amor

Cômico. Um vacilo e tudo se modifica.
Um momento, e toda a história futura se altera.
Torna-se perdida ou inesquecível, se torna vida.
Não é como fruto que se colhe, é como um acidente.
Uma maçã em queda acertando em cheio a cabeça...
É inevitável, porém não é destino,
Como uma “progressão” de números primos. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

ST3


O amargo é sempre amargor
Decepção, frustração que engolimos seco
Ou bombardeamos de anti-amor
Incrustado sempre numa batalha diária.
E para quem enxerga a vida como uma guerra
No final sempre serão as baixas, 
Contadas como cacos de miséria,
Que escreverão a história para os desinformados.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

ST2

Quando há motivos, não há amor, há interesses
Quando não há sentido abraçar o engano é um pecado,
é desespero.
Apague a chama, durma sozinho, olhe para o espelho
encontre a si mesmo.
Não existe força além da que já está guardada
Não existe sonhos fora da mente,
e tão pouco arbítrio moldável.





sábado, 16 de novembro de 2013

Três

O tempo despeja
Lembranças e momentos fogem,
Memórias póstumas, um passado,

Imprevisível,
É o carimbo, o tabaco,
Numa sala de departamentos...

Atos definirão
No próximo segundo, na próxima semana
Ou numa próxima vida


A perdição ou a salvação.