Até um tempo atrás,
motivado, como muita gente, por desilusões anteriores e também pela busca de
uma explicação racional sobre qualquer tipo de emoção, eu não acreditava mais no
amar, estava consciente sobre as conexões de sentimentos variados e egoístas do
reflexo que temos nas pessoas que dizemos amar... Sobre o respeito aos
criadores, sobre o poder de ilusão da carência e sobre as ilusões dogmáticas plantadas na cabeça
de muitos desde criança, sem contar as variantes físicas. Entendi o quanto a auto-preservação é
fundamental, e o quanto a libertinagem é desespero... Então, aumentei os muros,
tranquei as portas, vivi de sorrisos, me despedi de pessoas e descartei
desafios e o destino... comecei uma nova vida segura e questionava apenas o que
era cotidiano e redundante... trabalho, estudos, passa-tempos, reformas caseiras...
Preocupava-me com o meu futuro e passei a ter tanta convicção quanto qualquer
pessoa....vivia muito bem como um "zumbi", feliz por ser mais uma ovelha do
rebanho...... Mas quando tudo parecia
caminhar para a prosperidade, um breve momento foi o suficiente para destruir
toda e qualquer construção interna que fiz para me proteger, minha mente, minhas
emoções e minhas razões... como se tivessem me desplugado sem aviso e sem
motivos... E essa supernova veio de onde eu não era mais afetado... um olhar desconhecido
foi o suficiente para mudar tudo. Uma loucura já sentida porém por uma nova
forma e nenhuma razão ainda identificável. Abalou meus objetivos em todos os
aspectos, fiquei sem desculpas para dar pra mim mesmo, não encontrei um sentido
ao qual eu pudesse me agarrar para sair novamente dessa coisa tão sem
sentido... para sair desse caos.
Hoje, então, volto ao ponto de partida, volto a caminhar
de pés descalços à margem, e indiretamente me despedindo novamente...mas dessa vez sem objetivos e sem construir muros, é cansativo e frustrante ter que
reconstruir tudo sempre do zero, sem trancar as portas, sem esconder a face,
pelo contrário, de peito aberto e exposto.
Que machuquem que firam novamente, o amar talvez não tenha
mesmo um sentido, ou talvez apareça quando não tiver mais o que destruir.
Silêncio

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