quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Provas Iguais

Desde pequeno escuto sobre provas, sobre as provas de matemática na escola, os inimigos numa fase de um jogo, o time adversário, as provas dos cursos, as provas do vestibulares, as provas dos concursos, dos empregos, as avaliações de evolução, as competições, as provas da vida e etc.    Somos incessantemente testados, estamos constantemente sendo observados, avaliados e julgados. Sobre isso, eu tenho duas perguntas... simples perguntas... pra quê e por quem?

É cabível aceitar provas superficiais de evolução numa carreira acadêmica, ou num jogo, ou numa carreira profissional pois, todas elas num mundo onde sua formação define seu grau de capacidade seja ela intelectual ou profissional, colaboram com seu desenvolvimento na sociedade. E o que convém para a sociedade é aceita pela maioria e por tanto considerada moralmente correta. Ao passar pelas provas que a sociedade considera necessária, o aprovado sempre será visto como alguém grande, digno de admiração, um exemplo a ser seguido.
Concordo com essas definições apenas quando todos possuem as mesmas capacidades para aprender, competir e provarem alguma coisa. Não é difícil perceber que ao nosso redor igualdade e justiça é o que sempre falta, e que a estabilidade social é um quesito singular para igualar todos os seres para um ponto de partida justo e sem ressalvas. Mas igualdade é uma relação que corresponde somente a matemática, ela não é comum no mundo real. No mundo real seria mais justo falar em agrupamentos ou, no máximo, conjuntos de elementos semelhantes porém desiguais.
Muitos acreditam que há justiça quando percebem que temos os membros, órgãos e cérebros, quando temos aquilo o que nos determina humanos, que temos um mundo inteiro em nossa frente, quando temos diversas escolhas por seguir e que apenas nos compete o sabor de encontrar aquilo que agrada nosso “espírito”, ou nosso desejo... aquilo que julgamos importante para o nosso desenvolvimento como seres humanos.
Mas será isso um fato? Algumas pessoas encontram facilmente esse desejo, outras demoram um pouco mais, e outras nem sabem que precisam procurar por isso... em muitos casos, pessoas morrem e passam despercebidas pelo mundo, como um inseto pisado na calçada em uma corrida manhã corriqueira. E isso, é um mundo de provas, somente serão lembrados aqueles que encontrarem seus objetivos e trilharem com sucessos e sem dobrar ou desviar seus caminhos, com honestidade (não em todos os casos) e seriedade... com foco!
Justo. Sim, isso é justo para quem consegue! Mas e aqueles que não conseguem se encontrar, são fracos? Aqueles que não tiveram oportunidades de se descobrir, ou aqueles que descobriram tarde demais? Aquelas pessoas que guardavam dentro de si mundos inteiros de maravilhas, criatividades, novidades, vontades e inteligência, mas que acabaram por fim reféns de si mesmas por não se encaixarem nas métricas de avaliações que nossa sociedade impõe. Ou aquelas outras que são reféns de suas condições sociais, que não tiveram o incentivo correto por seus responsáveis, aquelas que quando crianças guardavam segredos e capacidades extremas, que precisavam tanto serem trabalhadas, incentivadas e direcionadas para o caminho correto, ou ao menos para uma luz. Como um empurrão encorajador de um pai.
Hoje eu vejo crianças todos os dias, vivendo desde pequenas suas provas sobre as quais têm as respostas na ponta da língua o motivo para fazer. Mas não muito tarde, esses motivos serão insuficientes, as provas serão mudadas, precisarão de uma direção, e a direção terá que ser encontrada por elas mesmas. E é aí que a vida começa a nos trazer suas provas. A grande virada da vida sobre nós, humanos...
Há quem diga que a vida é justa com todos, que não estabelece no caminho provas incapazes de serem solucionadas, mas isso é certamente a coisa mais utópica e fantasiosa que já ouvi e li. A vida estabelece exatamente as mesmas provas para todos, tratando-nos como iguais, ignorando as deficiências vivenciadas na história de cada um.
Iguais pra quem e pra quê?  Qual é o motivo para passarmos por provas durante a vida, quando é a própria vida que extermina todos os nossos sonhos, quando nossas capacidades são extinguidas diante uma sociedade voraz e sempre faminta de ilusão, quando as doenças psicológicas somente aumentam, quando o amor é sempre desprezado, quando o egoísmo é fator fundamental de desenvolvimento pessoal, quando a união é desprezada pela competição e pela cobiça, quando o desconhecido é um perigo e não um novo ponto de vista, quando os nossos conceitos sempre buscam por definições e semelhanças e não por diversidades fantásticas? ... não convém a explicação que Deus nos determina iguais e tão pouco que Deus é igual em todas as sociedades... pois cada grupo, etnia ou religião, possui por fim sua definição sobre o que é Deus, e é comum alguém encontrar uma explicação de acordo com sua crença, porém em todo caso, não deixa de ser uma forma desesperada de encontrar uma resposta em algo que não há tanta facilidade de ser encontrada.


As provas, por fim, servem para testar um determinado aprendizado. Mas o que e para quem, realmente na vida vale ser aprendido para que seja aceito encarar mais uma prova?

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