Desde
pequeno escuto sobre provas, sobre as provas de matemática na escola, os inimigos numa fase
de um jogo, o time adversário, as provas dos cursos, as provas do vestibulares,
as provas dos concursos, dos empregos, as avaliações de evolução, as
competições, as provas da vida e etc. Somos
incessantemente testados, estamos constantemente sendo observados, avaliados e
julgados. Sobre isso, eu tenho duas perguntas... simples perguntas... pra quê e
por quem?
É cabível aceitar
provas superficiais de evolução numa carreira acadêmica, ou num jogo, ou numa
carreira profissional pois, todas elas num mundo onde sua formação define seu
grau de capacidade seja ela intelectual ou profissional, colaboram com seu
desenvolvimento na sociedade. E o que convém para a sociedade é aceita pela
maioria e por tanto considerada moralmente correta. Ao passar pelas provas que
a sociedade considera necessária, o aprovado sempre será visto como alguém
grande, digno de admiração, um exemplo a ser seguido.
Concordo
com essas definições apenas quando todos possuem as mesmas capacidades para aprender,
competir e provarem alguma coisa. Não é difícil perceber que ao nosso redor
igualdade e justiça é o que sempre falta, e que a estabilidade social é um
quesito singular para igualar todos os seres para um ponto de partida justo e
sem ressalvas. Mas igualdade é uma relação que corresponde somente a
matemática, ela não é comum no mundo real. No mundo real seria mais justo falar
em agrupamentos ou, no máximo, conjuntos de elementos semelhantes porém
desiguais.
Muitos
acreditam que há justiça quando percebem que temos os membros, órgãos e
cérebros, quando temos aquilo o que nos determina humanos, que temos um mundo
inteiro em nossa frente, quando temos diversas escolhas por seguir e que apenas
nos compete o sabor de encontrar aquilo que agrada nosso “espírito”, ou nosso
desejo... aquilo que julgamos importante para o nosso desenvolvimento como
seres humanos.
Mas será
isso um fato? Algumas pessoas encontram facilmente esse desejo, outras demoram
um pouco mais, e outras nem sabem que precisam procurar por isso... em muitos
casos, pessoas morrem e passam despercebidas pelo mundo, como um inseto pisado
na calçada em uma corrida manhã corriqueira. E isso, é um mundo de provas,
somente serão lembrados aqueles que encontrarem seus objetivos e trilharem com
sucessos e sem dobrar ou desviar seus caminhos, com honestidade (não em todos
os casos) e seriedade... com foco!
Justo. Sim,
isso é justo para quem consegue! Mas e aqueles que não conseguem se encontrar, são
fracos? Aqueles que não tiveram oportunidades de se descobrir, ou aqueles que
descobriram tarde demais? Aquelas pessoas que guardavam dentro de si mundos
inteiros de maravilhas, criatividades, novidades, vontades e inteligência, mas
que acabaram por fim reféns de si mesmas por não se encaixarem nas métricas de
avaliações que nossa sociedade impõe. Ou aquelas outras que são reféns de suas
condições sociais, que não tiveram o incentivo correto por seus responsáveis,
aquelas que quando crianças guardavam segredos e capacidades extremas, que
precisavam tanto serem trabalhadas, incentivadas e direcionadas para o caminho
correto, ou ao menos para uma luz. Como um empurrão encorajador de um pai.
Hoje eu
vejo crianças todos os dias, vivendo desde pequenas suas provas sobre as quais
têm as respostas na ponta da língua o motivo para fazer. Mas não muito tarde,
esses motivos serão insuficientes, as provas serão mudadas, precisarão de uma
direção, e a direção terá que ser encontrada por elas mesmas. E é aí que a vida
começa a nos trazer suas provas. A grande virada da vida sobre nós, humanos...
Há quem
diga que a vida é justa com todos, que não estabelece no caminho provas
incapazes de serem solucionadas, mas isso é certamente a coisa mais utópica e
fantasiosa que já ouvi e li. A vida estabelece exatamente as mesmas provas para
todos, tratando-nos como iguais, ignorando as deficiências vivenciadas na
história de cada um.
Iguais pra
quem e pra quê? Qual é o motivo para
passarmos por provas durante a vida, quando é a própria vida que extermina
todos os nossos sonhos, quando nossas capacidades são extinguidas diante uma
sociedade voraz e sempre faminta de ilusão, quando as doenças psicológicas
somente aumentam, quando o amor é sempre desprezado, quando o egoísmo é fator
fundamental de desenvolvimento pessoal, quando a união é desprezada pela
competição e pela cobiça, quando o desconhecido é um perigo e não um novo ponto
de vista, quando os nossos conceitos sempre buscam por definições e semelhanças
e não por diversidades fantásticas? ... não convém a explicação que Deus nos
determina iguais e tão pouco que Deus é igual em todas as sociedades... pois
cada grupo, etnia ou religião, possui por fim sua definição sobre o que é Deus,
e é comum alguém encontrar uma explicação de acordo com sua crença, porém em
todo caso, não deixa de ser uma forma desesperada de encontrar uma resposta em
algo que não há tanta facilidade de ser encontrada.
As provas,
por fim, servem para testar um determinado aprendizado. Mas o que e para quem,
realmente na vida vale ser aprendido para que seja aceito encarar mais uma
prova?

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